Um fim de semana azul
Durante o fim de semana, teve lugar a quarta edição do Douro Blues, Festival Internacional de Blues de Vila Nova de Gaia, que está dividido em duas partes. A primeira ocorreu no Teatro Avenida, um local improvisado, mas com óptimas condições para o evento onde destaco a boa qualidade do som.
Mr Blues
A banda de Carcavelos, teve honras de abertura do festival e arrisco mesmo a dizer, da grande noite do evento e a tarefa não era fácil. Uma sala cheia para ver Alvin Lee. Provavelmente desconhecidos da grande parte do público, não desiludiram quem estava à espera do guitarrista Inglês. Foi a primeira vez que vieram tocar ao norte, e foram uma agradável surpresa. Aos poucos o público iria ficando irrequieto nas cadeiras, ora batendo o pé ora batendo palmas ao ritmo dos clássicos que os Mr Blues nos brindaram, entre eles, destaco, “Travelin South”,”I’ve Got My Mojo Working”, “Too Tired” e a excelente versão de “Tobacco Road” que tocaram bem perto do final. Nas guitarras em constante “duelo amigável” estiveram o Pedro Nunes e Tozé Salomão, a impor o groove esteve o Tólis e o Miguel Lança, na voz o ”grande” José Santos e juntaram mais um elemento, na harmónica e nas teclas, Matheus, do qual não vou esquecer o solo fantástico alternado com a guitarra do Pedro em “She 19 years old”. Foram embora e deixaram saudades, cá os esperamos para uma nova oportunidade e quem sabe, um album de originais.
Alvin Lee
Estava com alguma expectativa, para ver um dos grande ícones da música, actualmente com os seus 64 anos. Um senhor do rock que atravessou várias décadas e ainda e continua com a força que o manteve activo ao longo destes anos. Para meu espanto, o Alvin Lee “partiu” aquilo tudo, inclusíve, acho que partiu uma unha antes do espectáculo, mas nem isso o impediu de dar um grande show. Alternou entre o blues, blues rock e rock and roll, sempre com o mesmo feeling. Muita gente que não via um concerto talvez há bastante tempo, teve uma oportunidade de voltar às alegrias de um live show. Um dos grandes momentos da noite, foi quando prolongou (talvez 15 minutos) um grande exito dos Ten Years After, “Love Like a Man”, onde teve tempo de incluir alguns riffs clássicos dos Cream e de Hendrix. Um power trio, com uma secção ritmica com uma energia infindável, solos e riffs de guitarra electrizantes (com alguns enganos à mistura, mas o público já perdoava tudo), conseguiram pôr toda agente a dançar em frente ao palco, mesmo com algumas tentativas dos seguranças a tentar colocar ordem o que não foi possivel, visto o entuasiasmo ser enorme.
Burkowski Trio
Na segunda noite, a sala estava muito vazia, nem a metade chegou. Se na noite anterior tivemos o Rock, para este dia estava destinado o Funky Blues. Os galegos Burkowski trio, que se apresentaram como um quarteto, com um elemento extra na harmonica, tocaram alguns originais e apresentaram algumas versões algo diferentes e estranhas de alguns clássicos, como por exemplo uma versão funky do famoso “Lenny” de Stevie Ray Vaughan, ou mesmo “Voodoo Chile” de Hendrix. Um concerto com muito groove, mas que não chegou para aquecer o ambiente, de um publico pouco entusiasmado.
John Lee Hooker Jr.
Este senhor, sabe o que é estar num palco. Mesmo com a fraca adesão do público, o filho do grande Hooker, conseguiu levantar toda a gente das cadeiras para dançar. Grande parte do concerto foi preeenchido com originais, mas os que tiveram mais sucesso foram as covers de alguns clássicos como por exemplo “Boom Boom Boom”. Um concerto agradável, excelentes músicos que sabiam muito bem os seus papeis, e a presença do Sr. John Lee Hooker, que não parou de agradecer ao público e afirmar o quanto gostava da cidade. Nós tembém respondemos, dentro do possível, agradecendo a sua presença e que o gostariamos de voltar a ver, com muito mais gente, porque este homem sabe animar a malta, e acima de tudo, ama e sente os Blues.
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